Arquitetura Paroquial

A arquitetura e os símbolos da igreja

A Igreja matriz do Divino Espírito Santo está decorada e enriquecida com mensagens da catequese, para que o povo de Deus “vendo”, lembre-se dos mistérios da salvação, narrados com linhas, imagens, cores, palavras, símbolos, desenhos e mesmo pela estrutura arquitetônica.

Embora estes sinais sejam intuitivos, a mensagem de muitos desses símbolos pode tornar-se às vezes de difícil leitura especialmente pelas crianças e por quem não é bastante familiarizado com a história do Antigo e do Novo Testamento, à qual faz sempre referências às expressões artísticas espalhadas pela Igreja.

As breves e sintéticas explicações que seguem querem oferecer um auxílio explicativo para facilitar uma compreensão mais aprimorada dos detalhes e do quadro geral da catequese, centrada no Espírito Santo, o Amor de Deus, que vivifica todo o universo e é exaltado neste templo do Guará II. As explicações, às vezes, são acompanhadas por reflexões de caráter histórico ou teológico, para tornarem mais compreensíveis as mensagens.

Planta da igreja

A forma da igreja Divino Espírito Santo é de um hexágono. Os lados opostos, dois a dois são iguais, mas o hexágono que deles resulta é irregular; mais alongado no sentido leste-oeste, ou entrada x altar e mais curto no sentido norte-sul, ou transversal para quem entra.

A planimetria hexagonal tem um sentido alegórico, referindo-se à criação do mundo, que foi “construído” nos “seis” tempos ou “dias”. Cada lado representa um “dia” da criação.

O lado oriental, que corresponde à abside, simbolicamente representa o primeiro dia, em que Deus criou a luz, porque neste lado situa-se o altar; é “feita” e é guardada a Eucaristia, Jesus, luz do mundo.

Jesus é sol de justiça; Ele é nossa Salvação: na Bíblia a ação de Deus é comparada ao sol que surge do oriente. Antes, o Oriente é o Senhor que vem em nossa ajuda. Jesus vem pela consagração todos os dias sobre o altar, colocado ao oriente.

A área resultante do hexágono, todo o espaço arquitetônico, se relaciona simbolicamente ao término da criação e ao sétimo dia, “do repouso”, no qual o homem reconhece e louva o Criador, deixando de lado outros afazeres. O sétimo dia não é somente o Dia do Senhor, mas essencialmente o dia dos homens para o Senhor.

Nesta perspectiva de simbolismo real, o templo adquire a sua função de casa de Deus, porque nela se manifesta a presença de Deus melhor que na tenda de Moisés, pelo perene sacrifício de Cristo, e é também a casa dos homens porque nela eles se reconhecem filhos do mesmo Pai que os chama em assembléia (igreja), para realizar em fraternidade, em louvor e em adoração o sublime sacrifício de Cristo: “fazei isto em memória de mim”. É o sétimo dia que permanece até o fim dos tempos.

Simbolismo do forro

Simbolicamente lembra-nos a Santíssima Trindade:

Branco – se refere ao Divino Pai – cobrindo o altar, trono de Deus e toda a nave que abriga o povo, os filhos de Deus.

A Cruz – na parte central é dedicada ao Deus Filho, Jesus Cristo – sobre nossas cabeças para que jamais esqueçamos o mistério de nossa redenção.

A Pomba – sob a cruz representa o Deus amor: Espírito Santo, a jorrar sobre nós as infinitas graças e bênçãos.

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Figura central de Jesus (painel do altar)

Este painel, obra do artista polonês Aristarch K. e ponto visual de convergência para os fiéis, focaliza Jesus, a personagem chave do Amor de Deus que é o Espírito Santo. Nele são realizados os desígnios de Deus: fazer de Jesus o cerne das coisas criadas e o modelo para os homens se tornarem filhos de Deus.

A centralidade da figura de Cristo evidencia o papel teológico na vida de fé e de piedade dos cristãos: “não há outro nome no qual possamos encontrar salvação”. Pela pequenez da inteligência humana Deus é misterioso, é inefável; ninguém viu Deus, mas Jesus que vem de Deus, e ele mesmo é Deus, nos revelou muitas coisas da Divindade, e nos manifestou o mistério da Trindade, que está presente simbolicamente neste painel. Vejamos:

Trindade-há um só Deus; a unidade da natureza Divina está presente nas três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Deus Pai, é simbolizado, no alto, pela mão; está, como se viesse do infinito, envia e ao mesmo tempo mostra ao mundo o seu Filho. Este simbolismo lembra a teofania sobre Jesus no batismo junto ao rio Jordão e na transfiguração em cima do monte Tabor.

Deus Filho, feito homem, assumindo a natureza humana da Virgem Maria, foi chamado Jesus, conforme a mesma indicação divina expressa pelo arcanjo Gabriel à Virgem Maria e a São José.

Deus Espírito Santo está simbolizado em forma de pomba sobre o peito de Jesus. Dizer-se ia a que o trono do Espírito Santo é Cristo; Ele reina no Coração de Cristo que nos revela claramente, repetindo a visão do profeta Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim…” (Is 61,1ss.). Este aspecto nós o encontraremos focalizado claramente no painel do Coração de Jesus. É, pois pelo Cristo que nós recebemos o eflúvio do Espírito Santo: “A água que eu darei tornar-se-á nascente de água para a vida eterna” (Jo 4,14; 7,37). Esta é também a razão pela qual é superabundante o sinal do Espírito Santo neste templo.

Signo Trinitário, não podia estar ausente o tradicional sinal da unidade de Deus e da igualdade das três divinas pessoas: o Triângulo, colocado no alto, entre linhas assimétricas indicando que Deus é eterno, fora do tempo e do espaço.

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Características deste Cristo

É Jesus ressuscitado, Rei vitorioso, estabelecido Sumo e único Sacerdote que comunica os seus poderes e a sua dignidade aos Apóstolos e aos seus fiéis.

Cristo é o enviado de Deus Pai. Ele é Deus e homem ao mesmo tempo; ele participa da divindade e da humanidade, unindo em si, como uma ponte, o homem a Deus e Deus ao Homem: Ele é Único: único e verdadeiro intermediário, verdadeiro e único sacerdote, porque ninguém é melhor do que Ele, nem como Ele que depois de se ter doado em Sacrifício sobre a Cruz mereceu do Pai um Reino Sacerdotal eterno, ao qual quer nos fazer partícipes.

Nesta composição artística o Cristo após a ressurreição apresenta-se aos seus discípulos; eles são 11, falta ainda Mathias, substituto do traidor. As marcas do seu sacrifício sobre a cruz ainda são evidentes nos pés e nas mãos. A chaga do peito não é visível pois Ele está paramentado com as vestes sacerdotais de Sumo Pontífice.

A atitude do Cristo diz respeito à missão que Ele confia aos Apóstolos: “…Como o Pai me enviou, eu vos envio… Ide pelo mundo afora; pregai o Evangelho a toda criatura…” (Mc 16,15).

Este Cristo Sacerdote, missionário do Pai no Mundo, e que por sua vez envia os seus Operários na Vinha e nos Trigais do Senhor, encontra especial ressonância no espírito e no carisma dos Rogacionistas, sensíveis às problemáticas vocacionais e missionárias da Igreja.

Molduras do painel central

Duas molduras ornamentam o painel central de Cristo: a primeira mais contígua e a segunda formada como por duas colunas em forma de trapézio, cujas bases maiores são encostadas à parede.

. Moldura Interna – Ladeia por inteiro o painel constituindo-se em compassada e rítmica ornamentação, com um subfundo de cor verde branda que cria para o espectador um clima de paz e tranquilidade que domina toda cena. O sujeito da ornamentação é constituído de um floreado em cor branca que rodeia pequenas e gentis cruzinhas que sobressaem da cor verde.

. Moldura Externa – São constituídos por duas colunas, que além de ser ornamentação ao painel central desempenham o papel de tornar fechado e aconchegante o abside, e acolhem o espaço reservado à mesa do altar. A ornamentação destas colunas é constituída de vários quadrinhos delimitados pelas espigas de trigo, folhas e cachos de uva alusivos ao Sacrifício Eucarístico. Entre um quadrinho e outro é repetida a figura da pomba, símbolo do Espírito Santo. A cor do fundo do qual sobressaem a ornamentação e os símbolos, são da mesma cor avermelhada do fundo do painel central.

. Moldura esquerda – Apresenta os setes símbolos dos sacramentos. Jesus nos doa o seu Espírito através de signos sacramentais que pela intervenção onipotente de Deus se estabelecem e ao mesmo tempo indicam as realidades divinas comunicadas por eles. São estes os símbolos, de cima para baixo:

• Vasilha com água: símbolo do Batismo, primeiro sacramento que estabelece a nossa existência como Filhos de Deus. (às escondidas devido sobre o forro da Igreja)

• Mitra e pastoral: insígnias do bispo que confere a Confirmação de filhos de Deus.

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Pão e peixe: símbolos da Eucaristia, alimento da vida divina dos cristãos.

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• Chaves e estola: símbolos da Penitência, sacramento do perdão dos pecados através do sacerdote (estola) autorizado (chaves).

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Enterro: os cristãos passam à eternidade selados na esperança e na serenidade pela Unção dos enfermos.

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Estola: símbolo do Sacerdócio ministerial.

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Duas alianças: símbolo do Matrimônio.

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Moldura direita – Quem é conduzido pelo Espírito faz as obras de Deus. Nesta coluna são indicados sete símbolos das atitudes de quem quer agradar a Deus, sobre o influxo do Espírito, pelo qual podemos chamar a Deus de Pai querido (Abba Pater). São estes os símbolos, de cima para baixo:

• Âncora: é o símbolo da esperança em Cristo, que, como diz S. Paulo, não decepciona nunca.

• Cruzes de S. André: símbolo da fortaleza frente as dificuldades para testemunhar a vida de fé.

• Escudo e espada: escudo da fé e espada da Palavra de Deus: meios de defesa e de ataque contra satanás e contra o mundo.

• Lucerna e Bíblia: lucerna é símbolo da verdade e da luz encontradas na Palavra de Deus: “Lâmpada para os meus passos é a tua palavra, luz sobre o meu caminho” (Ps,118).

• Antigo sacrifício: símbolo do futuro sacrifício da Cruz, a Santa Missa.

• Tábuas do Decálogo: símbolo do Novo Mandamento de amarmo-nos como Jesus nos amou.

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Catequese narrada pelos vitrais

. Vitrais da frente, ao lado do altar, à direita e à esquerda de quem olha o altar;

. Vitrais de traz, ao lado da porta, à direita e à esquerda de quem entra;

. Vitrais superiores: em cima da entrada, à direita e à esquerda;

. Os símbolos centrais, à direita e à esquerda.

Vitrais da frente

. Lado direito: Anúncio do nascimento de Jesus aos pastores

A cena abrange vários janelões mostrando anjos cantando e tocando o “Glória à Deus nas alturas e paz na terra aos homens amados por Deus”. Ao centro destaca-se um arcanjo proclamando o Natal de Jesus. Em baixo notam-se os pastores que acolhem a mensagem, e já alguém começa a caminhada levando presentes numa cesta, e constatar o que acontecerá na gruta. Este painel com o da esquerda marca o princípio e o fim dos mistérios do Cristo: Nascimento e Morte.

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. Lado esquerdo: Crucificação de Jesus

Os homens matam o Filho de Deus! Incrível! À direita o começo da vida, na alegria dos anjos e dos humildes. À direita, entre vários janelões, assiste ao drama impressionante do Gólgota, tornado mais chocante pela vivacidade das cores. A figura central é o Cristo morto sobre a cruz. O sangue abundante escorrendo das chagas e salpicado sobre o seu corpo tornam a afiguração do sacrifício redentor do Cristo particularmente violento e cruel: é o Cordeiro inocente, vítima pura, imolado para os crimes dos homens.

Aos pés da cruz está prostrada e desconfortada Maria Madalena com uma cabeleira abundante que lhe servira em ato de humilde prostração para enxugar os sagrados pés do Mestre em previsão da morte dele.

À esquerda está a Virgem Santíssima com o rosto e os olhos cravados no seu Filho quase a atender ainda a continuação das suas palavras: “Mulher, eis ai o teu filho”. O novo filho, de adoção, representando todos nós, é João, que está quase grudado à cruz. É o único discípulo que nunca abandonou o Mestre, e portanto, ninguém melhor do que ele soube entrar e sentir a profundidade do amor de Cristo.

Quase em frente de Jesus estão os dois malfeitores que com Ele foram executados. Essa posição dos dois ladrões, Dimas e Gestas, torna mais compreensível a troca de palavras entre eles e especialmente entre Jesus e o “Bom ladrão”, Dimas, à sua direita.

Em volta da cruz há uma dezena de pessoas: algumas das quais representam os chefes judaicos ainda agressivos num duvidoso desafio: “Se és o Cristo, desce da cruz…!”, aos quais não agradava a presença da chapa mandada colocar por Pilatos em cima da Cruz: “Jesus Nazareno Rei dos Judeus (INRI)”. Há também os soldados que sorteiam a túnica do condenado, entre os quais destaca-se Longino que traspassou com a lança o coração de Jesus.

Ao pé da cruz está uma caveira como símbolo de que a morte é sobrepujada pela ressurreição, pela vitória do bem sobre o mal.

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Vitrais de trás

. Lado direito da entrada

Os vitrais do lado direito da entrada compõem-se de dois trípticos e do painel do Coração Eucarístico de Jesus.

O primeiro tríptico

Refere-se à Virgem Maria no primeiro estágio da Encarnação quando O Espírito Santo com a sua ação transformadora e santificadora age maravilhosamente sobre Maria, sobre Isabel e sobre Simeão.

 

Primeiro painel – A Anunciação

A Anunciação do arcanjo Gabriel à Virgem Maria que devia conceber no seu seio o Verbo de Deus, pela intervenção especial do Espírito Santo. No alto do painel são presentes as palavras do arcanjo acerca da ação do Espírito Santo simbolizando em línguas de fogo reunidas em forma de pomba. Em baixo destaca-se a resposta de Maria feita disponível e dócil ao desígnio de Deus.

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Segundo painel – A Visitação

Maria é representada no ato de subir a soleira da casa da prima Isabel. Esta não é mais jovem, mas leva no seio João, o futuro Batizador, que agora é batizado antes de nascer pelo Espírito Santo, não com água, mas com a voz de Maria.

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Terceiro painel – Apresentação

A apresentação do menino Jesus ao Templo, sinal de que todos pertencemos a Deus e a ele todos devemos nos dirigir. Na ocasião o ancião sacerdote Simeão, iluminado pelo Espírito Santo, simbolizado no alto pela pomba de fogo, alegra-se por ter encontrado e reconhecido naquela criancinha o Redentor. Ele vê longe e prediz à Maria quanto deverá sofrer pelo Filho que será contestado e rejeitado pelo mal. Ao lado está a profetisa Ana que alegra-se com Maria. São José observa e controla o encontro.

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O segundo tríptico

Focaliza alguns momentos expressivos da ação do Espírito Santo em Cristo. Para que melhor se entenda a intimidade e a presença do Espírito Santo com Cristo é preciso observar que as várias situações da vida de Jesus manifestam a intimidade e o influxo perene entre o Espírito Santo e Jesus.

Primeiro painel – Batismo de Jesus

Feito o batismo no rio Jordão, Deus misteriosamente se manifesta e proclama a glória e a santidade de Jesus. “Este é o meu Filho Bem-amado em quem me comprazo” (Mt 3,17). Ao mesmo tempo sobre Jesus aparece simbolicamente como em forma de pomba o Espírito Santo. É esta a primeira e grande manifestação sensível da Trindade.

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Segundo painel

Jesus na sinagoga de Cafarnaum lê a Profecia de Isaías sobre si: “O Espírito do Senhor está sobre mim…” Esta passagem da Escritura demonstra que ele é o enviado, o Cristo, “ungido”, isto é, pleno do óleo de santidade que provém do Espírito de Deus.

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Jesus sopra sobre os Apóstolos

Comunicando-lhes o Espírito Santo e dando-lhes o poder de perdoar os pecados, o que é sinal de Amor de Deus efundido nos nossos corações.

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Painel do Coração Eucarístico de Jesus

Destacado da sequência anterior, mas não avulso, Jesus na sua figura de amor para conosco, concretiza a plenitude total de doação de Si. Somente Ele podia fazer um gesto de doação totalizante de si para cada um de nós no mistério de comunhão através da comida simples e comum do pão e do vinho, que sendo consagrados escondem e contém a integridade da sua Pessoa com seu corpo e sangue. O papel do amor na Vida da Trindade é personalizado pelo Espírito Santo, o qual faz do coração de Jesus um lugar privilegiado, e estando no simbolismo da “pomba”, o Espírito Santo faz do coração de Cristo o seu “ninho” aconchegante. As chamas que saem do coração de Jesus são o prolongamento das asas da pomba pousada no coração feito ninho.

A atitude de Cristo é de oferecer com a mão direita as hóstias do seu Corpo, e com a mão esquerda o cálice do seu Sangue, parecendo repetir: “Quem come o meu Corpo e bebe o meu Sangue terá a vida eterna”, e “…Fazei isto em memória de mim”, como ato de amor, de gratidão, de amizade e sobretudo como oferta perene no Novo sacrifício (cfr. Mt 1,12).

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Lado esquerdo da entrada

Os vitrais do lado esquerdo constituem dois trípticos, o primeiro imediatamente ao lado da entrada; o segundo mais afastado. Duas temáticas diferentes. O primeiro tríptico focaliza a Divindade de Cristo na perspectiva da ação pouco compreensível (Mistério) da ação redentora da Paixão. O segundo tríptico enfatiza o mundo futuro.

O Primeiro tríptico: Transfiguração, Cruz e Ressurreição.

Primeiro painel – Transfiguração

É a demonstração sensível da divindade de Jesus, com o aval da presença do profeta Elias, à esquerda, e de Moisés que segura as tábuas dos dez mandamentos, à direita. Em baixo do painel são figurados os apóstolos Pedro, André e João; no alto, a Teofania de Deus Pai que com as mãos indica aos apóstolos o seu filho dizendo “Este é o meu Filho amado, em Quem me comprazo: ouvi-o”.

 

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Segundo painel – Cruz

Mostra a Cruz como ponto central finalizante da missão de Jesus. Ela é a perspectiva de primeiro plano, especialmente no último trecho de vida do Salvador. Focalizada por Elias e Moisés, é quebra-cabeça dos apóstolos colocados a par pelos dois profetas e mesmo pelo Mestre: “não digais a ninguém isto, até que o Filho do homem não seja ressuscitado.”

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Terceiro painel – Ressurreição

Confirma a fé na divindade de Jesus manifestada na transfiguração do Tabor. As primeiras testemunhas da divindade e da ressurreição, desta vez, são os guardas, os pagãos. No alto do painel os anjos com as trombetas, são também os precursores da nossa ressurreição quando sairemos dos túmulos, “ao som das trombetas”.

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O segundo tríptico: Purgatório, Paraíso, Inferno

Primeiro painel – Purgatório

As penas do purgatório indicadas pelas chamas não produzem desespero ou agressividade como no inferno. O clima é de resignação confiante, de oração e de espera até que termine a devida e aceita purificação. As almas são retiradas do tormento das chamas pelos anjos e conduzidas ao paraíso.

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Segundo painel – Paraíso

Este é simbolizado pelo pavão, conforme tradição cristã, encontrado amiúde nas catacumbas.

Terceiro painel – Inferno

Os demônios repuxam para o fundo das chamas os infelizes operadores de maldades.

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Vitrais superiores

Em cima da entrada

Se a efusão e a presença do Espírito Santo atinge o ápice em Cristo (figura do abside), a manifestação eclatante e sensível do Espírito se fez pública e estrondosa no dia de Pentecostes, quando os apóstolos reunidos no cenáculo foram investidos de uma força divina cujos sinais exteriores foram um vento subitâneo e a presença de um fogo que dividindo-se em pequenas chamas posou-se sobre cada um dos “irmãos” reunidos em torno de Maria, a mãe de Jesus. O efeito santificador e evangelizador do Espírito Santo nos apóstolos e na igreja é narrada nos painéis superiores centrais e laterais.

 

Painéis Centrais (São cinco, um principal, ao meio, e dois de cada lado).

 

Painel Central – Grande fogo

No alto um grande fogo que se expande em pequenas chamas tomando forma de pombinhas e se colocando sobre a Virgem Santíssima e sobre três apóstolos. A cena se estende aos dois painéis contíguos, atingindo os demais apóstolos.

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Painel da extrema direita – A sarça ardente.

Sabemos que o fogo é o sinal da ação do Espírito Santo. Deus revelou a Moisés da sarça o seu nome: Aquele que é um absoluto, e confia a Moisés a missão de salvar seu povo do Faraó. Do mesmo modo, empolgados pelo Espírito, os apóstolos anunciam com coragem o Evangelho e vão pelo mundo afora. Em baixo encontra-se a assinatura da desenhista dos vitrais: Leila Gomes Firmino.

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Painel da extrema esquerda – Confirmação

A força de Pentecostes, de santificação e de evangelização, é renovada pela imposição das mãos do Bispo, neste painel representado pelo primeiro dos bispos, o Papa.

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Vitrais superiores

Ao fechar a catequese nos vitrais cabe ressaltar um dos mais altos efeitos do Espírito Santo “efundido, nos nossos corações, pelo qual chamamos a Deus, custe o que custar, até mesmo com a própria vida. Foi o que fez Jesus: o primeiro mártir para a glória do Pai e para o nosso bem. A Igreja, os cristãos, vivem no amor e morrem no martírio. Os dois painéis seguintes oferecem a demonstração desta disponibilidade total a Deus.

 

À direita

Painel de São Cosme e São Damião, testemunhas de caridade e de fé em Cristo.

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À esquerda

Painel de Santo Estevão e de Santa Maria Goretti: duas personagens diferentes por sexo e em épocas. O primeiro abre a lista dos mártires, como embaixo do painel os seus apedrejados. O segundo segura nos braços uma palma, símbolo do seu martírio pela castidade. Todos se aproximam de Deus pela ação do Espírito Santo, que faz desabrochar os variados dons de Deus.

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Símbolos nos janelões centrais

As cores dos janelões centrais são enriquecidos e fazem moldura aos símbolos de momentos especiais da vida cristã. Os fiéis são alimentados pelos sacramentos e pela graça de Deus que pela ação do Espírito Santo chega à Igreja sem excluir os homens em geral, porque todos são chamados a se tornarem filhos de Deus. Em cada janela há um símbolo.

 

Do lado esquerdo (de quem está entrando) da frente para trás:

• Água: símbolo do Batismo;

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• Mão de Padre: símbolo do perdão de Deus;

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• Bispo: símbolo da Crisma ou Confirmação;

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• Cálice com hóstia: símbolo da Eucaristia.

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Cama: lembra os doentes que recebem a Unção do conforto e da esperança do paraíso.

 

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• Estola, insígnia sacerdotal: símbolo da Ordem sagrada.

 

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• Alianças: símbolo do Matrimônio cristão.

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Do lado direito (de quem está saindo), de trás para frente:

• Mão, Cruz e Pomba: alusão à Santíssima Trindade (O Pai que envia o Filho ao mundo, Jesus que se sacrifica, e o Espírito Santo que nos une a Deus).

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Chama: símbolo da fé.

 

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• Âncora: símbolo da esperança em Cristo, nossa salvação.

 

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• Chama saindo como de um ninho: símbolo da caridade.

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• Anjo: símbolo do evangelista São Mateus.

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• Leão: símbolo do evangelista São Marcos.

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• Boi: símbolo do evangelista São Lucas.

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• Águia: símbolo do evangelista São João.

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• E alfa e ômega, primeira e última letra do alfabeto grego, para indicar que Cristo é o ponto de partida e modelo de todo início; mas Ele é também o ponto de chegada e de convergência para encontrar perfeição, estabilidade e integração com o plano de Deus.

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A história da salvação (passarela central)

Em 16 losangos colocados na passarela central da igreja são figurados em mosaico-granilite as passagens mais relevantes da história da salvação.

Na soleira, precedendo, os painéis narrativos, é marcada a data de acabamento da construção da Igreja Matriz: 25.12.1985.

                 

  • 1º. Mosaico: Criação do Universo

A Terra teve privilégio entre os corpos siderais indicados pela lua e uma estrela. Deus Uno e Trino (triângulo) preenche o universo, cujo sopro foi colocado à existência; mas é no Templo que Ele é particularmente encontrado, pela oração e no silêncio do próprio coração.image105

• 2º. Mosaico: A árvore do bem e do mal.

É a ocasião para o homem obedecer e louvar Deus, ou de seguir o seu próprio capricho…

O demônio tentador e maçã mordida são o rastro de uma desobediência.

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• 3º. Mosaico: Um pé que esmaga a serpente.

Deus não deixa satanás tomar conta de tudo. Intervém contra ele e lhe deixa a perspectiva de uma luta, na qual será golpeado na cabeça por outra mulher: o pé da Virgem Maria lhe esmagará a testa. A indicação do algarismo 1985 refere-se ao Ano Mariano durante o qual se estava modelando o piso. Os três M são o monograma de Maria Minha Mãe.

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• 4º. Mosaico: Pomba com ramalhete de oliveira.

Alusão ao término do dilúvio, sinal com o arco-íris de paz entre o Criador e a criatura, selado com Noé.

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• 5º. Mosaico: Tosco altar com oferenda.

Alusão aos sacrifícios do Antigo Testamento quando os animais queimavam-se sobre o altar.

Esses sacrifícios não podiam agradar se não em vista da fé Naquele que Deus havia prometido à Abraão de enviar para redenção.

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• 6º. Mosaico: Sarça ardente e as sandálias de Moisés.

Deus chama Moisés da sarça que queimava sem se destruir, para dar continuidade à preparação do seu povo

em que se realizaria a promessa à Abraão, cujo Descendente, Jesus, seriam abençoados e salvos todos os povos.

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• 7º. Mosaico: Tábuas dos Dez Mandamentos.

Deus renova a aliança sobre o Monte Sinai, exigindo do seu povo uma maior santidade, selada na declaração dos mandamentos aceitos por Moisés e pelo povo.

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 • 8º. Mosaico: Berço com triângulo encerrando um lírio.

Alusão ao nascimento de Jesus pela maternidade virginal de Maria Santíssima conforme previsão do profeta Isaías ao rei Acaz: “Uma Virgem dará à luz o Emanuel, o Deus conosco.”

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• 9º. Mosaico: Um peixe carregando uma hóstia.

Alusão à Última Ceia, quando Jesus, cujas letras gregas formam o acróstico ICTUS que quer dizer peixe, realizou a promessa feita: “Eu vos darei o verdadeiro pão, melhor que o maná dado por Moisés no deserto…”.

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• 10º. Mosaico: Altar com cruz, velas, hóstias e cálice.

Alusão ao Novo Sacrifício feito na Pessoa de Jesus na Nova e Perpétua Aliança.

Este é aquele Sacrifício santo, perfeito e aceito por Deus, apontado muitos séculos antes pelo profeta Malaquias (Ml, 12).

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• 11º. Mosaico: Gotas de sangue caindo da Cruz sobre a “cobra”

O Sangue Redentor de Jesus constitui a revanche de Deus contra a serpente diabólica em favor dos homens enganados por ela.

A anunciada cabeça esmagada, da “cobra”, é levada a cabo pela “descendência” da “Mulher”, Jesus, cuja morte tirou todo direito de Satanás sobre os homens. São Paulo lembra-nos que fomos remidos pelo Sangue de Jesus.

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• 12º. Mosaico: Cordeiro carregando uma bandeira.

É o símbolo de Jesus ressuscitado, vitorioso por ter enfrentado as maldades cósmicas, dos demônios e dos homens, na obediência ao Pai até a cruz.

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• 13º. Mosaico: Pomba com 12 pequenas chamas.

Lembra Pentecostes com os assim chamados 12 dons do Espírito Santo, com os quais os fiéis chegam a desenvolver em si o Reino de Deus.

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• 14º. Mosaico: Barco com chaves.

Representa a Igreja, novo povo de Deus guiado pelo poder de São Pedro, isto é, do Papa, empolgada pelo mundo afora pela assistência do Espírito Santo (sopro, vento: sinais de vida, lembram Pentecostes).

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• 15º. Mosaico: Fonte.

Indica Cristo, nascente de “água viva” que jorra através dos Sete Sacramentos. “Quem tem sede venha a mim, tinha convidado Jesus”. As letras que sobrepujam a fonte é o LOGOS de Cristo formado pelas letras do alfabeto grego Ki e Ro.

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• 16º. Mosaico: Espigas em pé e caídas, com foice.

Representa o empenho de todos os fiéis para a evangelização, a ser levada a cabo pela oração e pelo engajamento dos cristãos:

“A messe é muita, mas os operários são poucos. Rezai ao Senhor da Messe para que envie Operários à sua Messe.”

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É o painel da missionariedade da Igreja e o carisma Rogacionista.

Capelinha do Santíssimo Sacramento

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Capela de São Cosme e São Damião – (subsolo da Igreja Matriz)

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Estrutura arquitetônica:

Nas suas linhas essenciais, a arquitetura da capela repete a forma hexagonal do templo superior. A esquadria do altar tende a acompanhar a mesma forma geral.

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Finalidade:

A capela foi prevista para atender as atividades litúrgicas feriais, quando a frequência aos atos religiosos é limitada.

A focalização no subsolo facilita também o acesso aos fiéis que aos poucos e em períodos mais disponíveis podem atender à piedade pessoal ou de grupos particulares.

 

Dedicação:

A dedicação da capela aos Santos Médicos Cosme e Damião teve um objetivo de auxiliar os católicos desnorteados por uma piedade popular às vezes contaminada de influxos menos ortodoxos, que os leva para outros caminhos longe da genuína fé sem se aperceberem.

Os Santos Médicos que morreram para testemunhar a integridade da fé não podem avalizar crendices de grupos que os honram como arautos próprios: aí está o engano de muitos batizados que pensam que toda religião é boa. Com moeda boa há sempre moeda falsa dos espertalhões que nem sempre são de má fé. Precisa-se, como diz São Paulo, evangelizar sempre e nunca cansar de apregoar a Palavra de Deus. Ninguém melhor que São Cosme e São Damião, tão queridos ao povo cristão para indicar o caminho certo. Eles são católicos e pela fé católica morreram mártires.

 

Painel central

É uma pintura que mostra em primeiro plano os Santos Cosme e Damião, com a insígnia da palma na mão, sinal de martírio. Em segundo plano São José, a Virgem Maria que segura o Menino Jesus, fugindo para o Egito da perseguição de Herodes Agripa que quer matar o Menino. Vê-se o rio Nilo, e no horizonte, vislumbra-se uma pirâmide. A ligação ideal entre a Sagrada Família e os Santos Médicos é fornecida pela perseguição que os atingiram. O mesmo Jesus fará presente que “O Reino de Deus sofre violências…”. É o Espírito Santo que dá a sua “Força” para superar todas as dificuldades. (Pintor: Chirico Francisco, religioso Rogacionista).

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Os vitrais

São constituídos por quatro painéis em vidro trabalhado com material plástico, e referem-se à alguns episódios da vida dos Santos Médicos.

• 1º painel: Mulher com dois ovos – Lembra o fato de uma mulher curada de seus males pela intervenção milagrosa dos Santos, que não aceitavam dinheiro (anargiros), que lhes oferece dois ovos em sinal de gratidão.

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• 2º painel: Homem sufocado por uma cobra – A intervenção de São Cosme e São Damião faz com que um homem seja salvo do sufocamento causado por uma cobra penetrada na sua garganta.

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3º painel: Os Santos são coagidos a adorar o sol – Os médicos confirmaram a própria fé cristã, e antes de se amedrontar proclamaram solenemente a divindade de Jesus. Por isso foram condenados à morte.

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4º painel: Glorificação de São Cosme e São Damião, mártires da fé católica, cujo símbolo é a basílica de São Pedro em Roma

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